sábado, 18 de janeiro de 2014

Pois ela ainda dorme


 
Ela cresceu e junto com ela o desejo de ser encontrada. Ela banhava-se no fim da tarde, perfumava-se e sentava na calçada com a companhia de um bom livro, esperando que alguém passasse  e com um singelo olhar se encantasse. Pobre menina.

Quantos encontros marcados ela viu acontecer na frente dela? Quantos beijos e abraços? Parecia que o amor estava ali o tempo todo, só não olhava para ela.

O livro já não lia mais! Sonhava de livro aberto!

Sonhava que um dia, alguém passaria por ali e a levasse junto, como por encanto. Sonhava  em ter seu primeiro beijo, sua valsa de debutante, uma flor  com bilhete e aquele chocolate com gosto de paixão e desejo. Sonhava em sair pra dançar, ser guardada nos braços de alguém, ser feita pequena, tal qual em asa morena.

Tantos banhos, tantos perfumes, tantos vestidos e tantos livros, mas a felicidade dela estava em coisas tão simples e longes!
              Nada adiantou o tempo passou e aquela menina passou tempo demais com a solidão. Ela aprendeu a ser sozinha. Tão imensa, tão profunda e tão solitária como o mar!

Hoje, já mulher, teme não ter sido e não ser amada. Pobre mulher!

Tão quieta, de olhar profundo e suspiros silenciosos na alma, talvez por ser só, talvez por trazer dentro de si, uma menina que dorme!          







por douglas henrique

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