Ela cresceu e
junto com ela o desejo de ser encontrada. Ela banhava-se no fim da tarde,
perfumava-se e sentava na calçada com a companhia de um bom livro, esperando
que alguém passasse e com um singelo
olhar se encantasse. Pobre menina.
Quantos
encontros marcados ela viu acontecer na frente dela? Quantos beijos e abraços? Parecia
que o amor estava ali o tempo todo, só não olhava para ela.
O livro já não
lia mais! Sonhava de livro aberto!
Sonhava que um
dia, alguém passaria por ali e a levasse junto, como por encanto. Sonhava em ter seu primeiro beijo, sua valsa de
debutante, uma flor com bilhete e aquele
chocolate com gosto de paixão e desejo. Sonhava em sair pra dançar, ser
guardada nos braços de alguém, ser feita pequena, tal qual em asa morena.
Tantos banhos,
tantos perfumes, tantos vestidos e tantos livros, mas a felicidade dela estava
em coisas tão simples e longes!
Nada adiantou o tempo passou e aquela menina passou tempo demais com a solidão. Ela aprendeu a ser sozinha. Tão imensa, tão profunda e tão solitária como o mar!
Nada adiantou o tempo passou e aquela menina passou tempo demais com a solidão. Ela aprendeu a ser sozinha. Tão imensa, tão profunda e tão solitária como o mar!
Hoje, já
mulher, teme não ter sido e não ser amada. Pobre mulher!
Tão quieta, de
olhar profundo e suspiros silenciosos na alma, talvez por ser só, talvez por
trazer dentro de si, uma menina que dorme!
por douglas henrique
por douglas henrique

