sábado, 18 de janeiro de 2014

Cumplicidade



Talvez aquela menina fosse diferente de todas as outras. Ela era risonha, olhar de poeta e de artista. Um olhar tão profundo que era capaz de ler e compreender qualquer um.

Ela tinha uma relação intima com o sol, a lua e as estrelas. Era capaz de ficar horas a fio olhando sem parar para o céu, ouvindo o que ele dizia. Tinha o vento como companheiro constante.

O toque, as palavras, os gestos e atitudes dela encantavam qualquer um. Ela só fazia o bem, ela só queria o bem, ela era o bem.

Mas o mais curioso naquela menina era sua amizade com um pássaro. Ele a encantava. Suas penas eram alvas como a neve, seus olhos cor de mar, em suas asas trazia a nobre missão de libertar (mas isso era algo que ele não sabia, a menina tinha que ensina-lo).

Voava. Em voos impávidos  a vulnerável lugar, distante de todo aquele perder de céu, distante de seu habitar. Longe do fel de sua natureza, ao encontro de seres que clamam para livre estar.

Gente humanamente só, com sede de ar. Submissos e escravos da dor, sangrando a ausência da possibilidade de amar. Pobres que pediam a este generoso pássaro a sublimidade de voar.

Com a ajuda da menina o pássaro rasgou as nuvens que mensurava a luz tão longe do olhar; se fez em voos rasantes com maestria, com degustar de autonomia.

A cumplicidade dos dois crescia sem igual, era tão sublime o encontro entre eles.

E em um destes seus encontros singelos, rabiscou o céu e poetizou  as estrelas: a independência está em escolher sonhar.

Dito que ao fecundar da missão, a menina em sua existência pode suspirar com grande fugacidade o aroma da auto felicidade
 
 
  


                                                               (imagem disponível no google)

Por Madele Gomes e eu em rascunhos filosóficos...


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