Ela acordou cedo, abriu a janelas, deixou a luz entrar. Respirando fundo, abriu se guarda roupa e pegou o seu melhor vestido. Sorriu!
No tanque, onde se lavam as roupas sujas e as poeiras da alma, ela lavou o vestido com tanta delicadeza, que num instante ele ficou novo, limpo, perfumado, pronto.
Aquele vestido era o mesmo, tal nos contos de fadas, tal qual aquele que outra menina colocou a espera de um pássaro. Aquele vestido não só vestia o corpo dela, mas como também a alma e o coração. Com ele a vida era vivida no presente do indicativo (como Ana poetizou), com ele sonhos se tornavam realidades. Claramente aquele vestido a completava.
Mas no baile daquela noite, ela não usaria aquele vestido. Ela a emprestou para uma velha conhecida amiga. Amiga que outrora já usava o mesmo vestido. Amiga que deseja aquele vestido mais do que tudo.
Coração apertado. Alguém agora dança com o vestido que é dela. Alguém agora tem no corpo o mundo que é dela.
E se a velha conhecida não devolver mais o vestido? E se o vestido se encantar com o corpo dela?
E se ela não devolver o vestido por inteiro?
Dirão: “É só um vestido, você compra outro”
Não! Não!
É o vestido dela. É a vida de amor dela!
“Vida” de amor?! Não seria “história” de amor?
Mas direi: “Histórias sempre têm um fim. Vida (como Deus poetizou) é eterna.
Eterno como o vestido.

Adorei....em especial o contraponto entre história de amor e vida de amor...Especial isso. Beijos.
ResponderExcluir